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Leitura do dia 144
Jó 30–33
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1
Agora, porém, se riem de mim os de menos idade do que eu, cujos pais eu teria desdenhado de pôr com os cães do meu rebanho.
2
De que também me serviria a força das mãos daqueles, cujo vigor se tinha esgotado?
3
De míngua e fome se debilitaram; e recolhiam-se para os lugares secos, tenebrosos, assolados e desertos.
4
Apanhavam malvas junto aos arbustos, e o seu mantimento eram as raízes dos zimbros.
5
Do meio dos homens eram expulsos, e gritavam contra eles, como contra o ladrão;
6
Para habitarem nos barrancos dos vales, e nas cavernas da terra e das rochas.
7
Bramavam entre os arbustos, e ajuntavam-se debaixo das urtigas.
8
Eram filhos de doidos, e filhos de gente sem nome, e da terra foram expulsos.
9
Agora, porém, sou a sua canção, e lhes sirvo de provérbio.
10
Abominam-me, e fogem para longe de mim, e no meu rosto não se privam de cuspir.
11
Porque Deus desatou a sua corda, e me oprimiu, por isso sacudiram de si o freio perante o meu rosto.
12
À direita se levantam os moços; empurram os meus pés, e preparam contra mim os seus caminhos de destruição.
13
Desbaratam-me o caminho; promovem a minha miséria; contra eles não há ajudador.
14
Vêm contra mim como por uma grande brecha, e revolvem-se entre a assolação.
15
Sobrevieram-me pavores; como vento perseguem a minha honra, e como nuvem passou a minha felicidade.
16
E agora derrama-se em mim a minha alma; os dias da aflição se apoderaram de mim.
17
De noite se me traspassam os meus ossos, e os meus nervos não descansam.
18
Pela grandeza do meu mal está desfigurada a minha veste, que, como a gola da minha túnica, me cinge.
19
Lançou-me na lama, e fiquei semelhante ao pó e à cinza.
20
Clamo a ti, porém, tu não me respondes; estou em pé, porém, para mim não atentas.
21
Tornaste-te cruel contra mim; com a força da tua mão resistes violentamente.
22
Levantas-me sobre o vento, fazes-me cavalgar sobre ele, e derretes-me o ser.
23
Porque eu sei que me levarás à morte e à casa do ajuntamento determinada a todos os viventes.
24
Porém não estenderá a mão para o túmulo, ainda que eles clamem na sua destruição.
25
Porventura não chorei sobre aquele que estava aflito, ou não se angustiou a minha alma pelo necessitado?
26
Todavia aguardando eu o bem, então me veio o mal, esperando eu a luz, veio a escuridão.
27
As minhas entranhas fervem e não estão quietas; os dias da aflição me surpreendem.
28
Denegrido ando, porém não do sol; levantando-me na congregação, clamo por socorro.
29
Irmão me fiz dos chacais, e companheiro dos avestruzes.
30
Enegreceu-se a minha pele sobre mim, e os meus ossos estão queimados do calor.
31
A minha harpa se tornou em luto, e o meu órgão em voz dos que choram.
Jó 31
Versão: ACF
1
Fiz aliança com os meus olhos; como, pois, os fixaria numa virgem?
2
Que porção teria eu do Deus lá de cima, ou que herança do TodoPoderoso desde as alturas?
3
Porventura não é a perdição para o perverso, o desastre para os que praticam iniqüidade?
4
Ou não vê ele os meus caminhos, e não conta todos os meus passos?
5
Se andei com falsidade, e se o meu pé se apressou para o engano
6
(Pese-me em balanças fiéis, e saberá Deus a minha sinceridade),
7
Se os meus passos se desviaram do caminho, e se o meu coração segue os meus olhos, e se às minhas mãos se apegou qualquer coisa,
8
Então semeie eu e outro coma, e seja a minha descendência arrancada até à raiz.
9
Se o meu coração se deixou seduzir por uma mulher, ou se eu armei traições à porta do meu próximo,
10
Então moa minha mulher para outro, e outros se encurvem sobre ela,
11
Porque é uma infâmia, e é delito pertencente aos juízes.
12
Porque é fogo que consome até à perdição, e desarraigaria toda a minha renda.
13
Se desprezei o direito do meu servo ou da minha serva, quando eles contendiam comigo;
14
Então que faria eu quando Deus se levantasse? E, inquirindo a causa, que lhe responderia?
15
Aquele que me formou no ventre não o fez também a ele? Ou não nos formou do mesmo modo na madre?
16
Se retive o que os pobres desejavam, ou fiz desfalecer os olhos da viúva,
17
Ou se, sozinho comi o meu bocado, e o órfão não comeu dele
18
(Porque desde a minha mocidade cresceu comigo como com seu pai, e fui o guia da viúva desde o ventre de minha mãe),
19
Se alguém vi perecer por falta de roupa, e ao necessitado por não ter coberta,
20
Se os seus lombos não me abençoaram, se ele não se aquentava com as peles dos meus cordeiros,
21
Se eu levantei a minha mão contra o órfão, porquanto na porta via a minha ajuda,
22
Então caia do ombro a minha espádua, e separe-se o meu braço do osso.
23
Porque o castigo de Deus era para mim um assombro, e eu não podia suportar a sua grandeza.
24
Se no ouro pus a minha esperança, ou disse ao ouro fino: Tu és a minha confiança;
25
Se me alegrei de que era muita a minha riqueza, e de que a minha mão tinha alcançado muito;
26
Se olhei para o sol, quando resplandecia, ou para a lua, caminhando gloriosa,
27
E o meu coração se deixou enganar em oculto, e a minha boca beijou a minha mão,
28
Também isto seria delito à punição de juízes; pois assim negaria a Deus que está lá em cima.
29
Se me alegrei da desgraça do que me tem ódio, e se exultei quando o mal o atingiu
30
(Também não deixei pecar a minha boca, desejando a sua morte com maldição);
31
Se a gente da minha tenda não disse: Ah! quem nos dará da sua carne? Nunca nos fartaríamos dela.
32
O estrangeiro não passava a noite na rua; as minhas portas abria ao viandante.
33
Se, como Adão, encobri as minhas transgressões, ocultando o meu delito no meu seio;
34
Porque eu temia a grande multidão, e o desprezo das famílias me apavorava, e eu me calei, e não saí da porta;
35
Ah! quem me dera um que me ouvisse! Eis que o meu desejo é que o Todo-Poderoso me responda, e que o meu adversário escreva um livro.
36
Por certo que o levaria sobre o meu ombro, sobre mim o ataria por coroa.
37
O número dos meus passos lhe mostraria; como príncipe me chegaria a ele.
38
Se a minha terra clamar contra mim, e se os seus sulcos juntamente chorarem,
39
Se comi os seus frutos sem dinheiro, e sufoquei a alma dos seus donos,
40
Por trigo me produza cardos, e por cevada joio. Acabaram-se as palavras de Jó.
Jó 32
Versão: ACF
1
Então aqueles três homens cessaram de responder a Jó; porque era justo aos seus próprios olhos.
2
E acendeu-se a ira de Eliú, filho de Baraquel, o buzita, da família de Rão; contra Jó se acendeu a sua ira, porque se justificava a si mesmo, mais do que a Deus.
3
Também a sua ira se acendeu contra os seus três amigos, porque, não achando que responder, todavia condenavam a Jó.
4
Eliú, porém, esperou para falar a Jó, porquanto tinham mais idade do que ele.
5
Vendo, pois, Eliú que já não havia resposta na boca daqueles três homens, a sua ira se acendeu.
6
E respondeu Eliú, filho de Baraquel, o buzita, dizendo: Eu sou de menos idade, e vós sois idosos; receei-me e temi de vos declarar a minha opinião.
7
Dizia eu: Falem os dias, e a multidão dos anos ensine a sabedoria.
8
Na verdade, há um espírito no homem, e a inspiração do TodoPoderoso o faz entendido.
9
Os grandes não são os sábios, nem os velhos entendem o que é direito.
10
Assim digo: Dai-me ouvidos, e também eu declararei a minha opinião.
11
Eis que aguardei as vossas palavras, e dei ouvidos às vossas considerações, até que buscásseis razões.
12
Atentando, pois, para vós, eis que nenhum de vós há que possa convencer a Jó, nem que responda às suas razões;
13
Para que não digais: Achamos a sabedoria; Deus o derrubou, e não homem algum.
14
Ora ele não dirigiu contra mim palavra alguma, nem lhe responderei com as vossas palavras.
15
Estão pasmados, não respondem mais, faltam-lhes as palavras.
16
Esperei, pois, mas não falam; porque já pararam, e não respondem mais.
17
Também eu responderei pela minha parte; também eu declararei a minha opinião.
18
Porque estou cheio de palavras; o meu espírito me constrange.
19
Eis que dentro de mim sou como o mosto, sem respiradouro, prestes a arrebentar, como odres novos.
20
Falarei, para que ache alívio; abrirei os meus lábios, e responderei.
21
Que não faça eu acepção de pessoas, nem use de palavras lisonjeiras com o homem!
22
Porque não sei usar de lisonjas; em breve me levaria o meu Criador.
Jó 33
Versão: ACF
1
Assim, na verdade, ó Jó, ouve as minhas razões, e dá ouvidos a todas as minhas palavras.
2
Eis que já abri a minha boca; já falou a minha língua debaixo do meu paladar.
3
As minhas razões provam a sinceridade do meu coração, e os meus lábios proferem o puro saber.
4
O Espírito de Deus me fez; e a inspiração do Todo-Poderoso me deu vida.
5
Se podes, responde-me, põe em ordem as tuas razões diante de mim, e apresenta-te.
6
Eis que vim de Deus, como tu; do barro também eu fui formado.
7
Eis que não te perturbará o meu terror, nem será pesada sobre ti a minha mão.
8
Na verdade tu falaste aos meus ouvidos; e eu ouvi a voz das tuas palavras. Dizias:
9
Limpo estou, sem transgressão; puro sou, e não tenho iniqüidade.
10
Eis que procura pretexto contra mim, e me considera como seu inimigo.
11
Põe no tronco os meus pés, e observa todas as minhas veredas.
12
Eis que nisso não tens razão; eu te respondo; porque maior é Deus do que o homem.
13
Por que razão contendes com ele, sendo que não responde acerca de todos os seus feitos?
14
Antes Deus fala uma e duas vezes; porém ninguém atenta para isso.
15
Em sonho ou em visão noturna, quando cai sono profundo sobre os homens, e adormecem na cama.
16
Então o revela ao ouvido dos homens, e lhes sela a sua instrução,
17
Para apartar o homem daquilo que faz, e esconder do homem a soberba.
18
Para desviar a sua alma da cova, e a sua vida de passar pela espada.
19
Também na sua cama é castigado com dores; e com incessante contenda nos seus ossos;
20
De modo que a sua vida abomina até o pão, e a sua alma a comida apetecível.
21
Desaparece a sua carne a olhos vistos, e os seus ossos, que não se viam, agora aparecem.
22
E a sua alma se vai chegando à cova, e a sua vida aos que trazem a morte.
23
Se com ele, pois, houver um mensageiro, um intérprete, um entre milhares, para declarar ao homem a sua retidão,
24
Então terá misericórdia dele, e lhe dirá: Livra-o, para que não desça à cova; já achei resgate.
25
Sua carne se reverdecerá mais do que era na mocidade, e tornará aos dias da sua juventude.
26
Deveras orará a Deus, o qual se agradará dele, e verá a sua face com júbilo, e restituirá ao homem a sua justiça.
27
Olhará para os homens, e dirá: Pequei, e perverti o direito, o que de nada me aproveitou.
28
Porém Deus livrou a minha alma de ir para a cova, e a minha vida verá a luz.
29
Eis que tudo isto é obra de Deus, duas e três vezes para com o homem,
30
Para desviar a sua alma da perdição, e o iluminar com a luz dos viventes.
31
Escuta, pois, ó Jó, ouve-me; cala-te, e eu falarei.
32
Se tens alguma coisa que dizer, responde-me; fala, porque desejo justificar-te.
33
Se não, escuta-me tu; cala-te, e ensinar-te-ei a sabedoria.
